Sem-teto protestam no centro de São Paulo contra prisão arbitrária de lideranças Centenas de sem-teto organizados por vários movimentos de moradia da capital paulista protestam desde o início da tarde de hoje (26) pelas ruas do centro da capital paulista, reivindicando a libertação das quatro líderes presos na última segunda-feira (24), sob acusação de extorsão. “O Poder Judiciário e a polícia ignoraram que essas pessoas sempre prestaram todas as informações, nunca se negaram a colaborar com a justiça”, ressaltou o militante da Central de Movimentos Populares (CMP) Hugo Fantom. “É uma trama pela criminalização dos movimentos sociais. Nossas lideranças atuam para defender o direito da população mais pobre de morar no centro. Para garantir que esse monte de apartamentos e prédios abandonados sejam destinados a moradia popular. Queremos que o judiciário volte a sua atenção para quem realmente causa injustiças e problemas para a cidade, que são os especuladores”, disse Fantom. A marcha saiu do Pátio do Colégio, caminhando pelas ruas do centro até a Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP). Depois os manifestantes seguem até a sede do Tribunal de Justiça de São Paulo. Nos locais está sendo entregue um manifesto pedindo a libertação imediata das lideranças presas. “Mais uma vez, o Sistema de Justiça e o estado de São Paulo abrem as alas da violência institucional que oprime o povo pobre que ousa resistir e lutar pela superação da desigualdade social e fazer valer o direito básico e constitucional de moradia”, diz o texto. Somente nesta quarta-feira os advogados dos sem-teto conseguiram ter acesso ao inquérito para analisar a justificativa das prisões e pedir o relaxamento delas. Durante quase três dias, os presos tiveram seu direito de defesa impedido. “Os pedidos através do Sistema informatizado do Tribunal de Justiça para habilitação e acesso aos autos estão sendo indeferidos. Isso impede e exercício da ampla defesa e do contraditório. É cerceamento de defesa e viola as disposições legais e constitucionais”, afirmou o advogado e membro do Conselho Estadual de Defesa da Pessoas Humana (Condepe) Ariel de Castro Alves. O vereador paulistano Eduardo Suplicy (PT), junto com outros parlamentares e líderes políticos, esteve no ato manifestando apoio aos sem-teto e repúdio à prisão das lideranças. Ele reforçou a intransigência do poder judiciário em garantir a ampla defesa dos presos. “Não conseguimos sensibilizar a juíza de que essas pessoas não ficaram nada de errado, não cometeram nenhum crime que justifique essas prisões arbitrárias”, afirmou. A Polícia Civil cumpriu 17 mandados de busca e apreensão, além de nove mandados de prisão temporária, sendo quatro efetivados. A Defensoria Pública e os advogados vão ingressar com pedidos de liberdade na tarde de hoje. A prisão temporária é de cinco dias. As ordens foram expedidas pelo juiz Marco Antônio Martins Vargas. Na ação foram presas Angélica dos Santos Lima, Janice Ferreira Silva (a Preta Ferreira), Ednalva Silva Franco e Sidney Ferreira Silva. O delegado André Figueiredo, que pediu as prisões, disse que os mandados estão baseadas em depoimentos de 13 testemunhas e grampos telefônicos que teriam apontado a prática de extorsão e desvio de dinheiro nos movimentos. “As testemunhas dizem que pagavam R$ 200 a R$ 400 e esse valor não era usado em melhorias. Aqueles que não pagavam eram ameaçados e agredidos. Não estamos acusando os movimentos, mas pessoas que atuavam nos movimentos”, afirmou. Segundo o delegado, entre os investigados está Carmen Silva, coordenadora do Movimento Sem-Teto do Centro (MSTC), que foi inocentada no início deste ano em outro processo baseado nas mesmas acusações, por falta de provas e de fundamentos à acusação. Os dois filhos dela, Sidney e …

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